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quinta-feira, 17 de março de 2016

De minha janela o sol aquece o meu íntimo
De trás da mangueira entre o verde das folhas
E o alaranjado comprido estou,
Em paz comigo.
Williany Souza

domingo, 6 de março de 2016

SONETO III

Tão incomum quanto inconstante
Uma variante indecisa
Pouco amável e de muitos amantes
Atraente sim: a vida

Tão vadia quanto desapegada
Uma noite dessas a mim contou
E sobre um salto só pude dizer
Atraente sim: a vida

De poucas palavras e infindos amigos
De tantos inimigos que nem posso dizer
Atraente sim: a vida

Vale tão pouco essa puta amiga
Que tanto me tem e a outros também
Atraente sim: a vida.

 Williany Souza

sábado, 27 de fevereiro de 2016

A FALTA

A saudade, tal qual um sonho torpe
Inerte e desconhecido
Bem como a morte de Orfeu
O espelho que liga mundos de Cocteau
Entre uma infinidade de dimensões:
Dois pontos.


Não obstante ao acaso em que o destino é nulo
Gratificante senhora das lembranças.


A saudade, tal qual uma caixa de fotos em mofo
Metamorfose minha, insalubre ao oposto.
Leva diante dos olhos marejados
Lembranças inocentes
Momentos descabelados
E uma alma tão limpa quanto água alguma consiga ser


A saudade, tal qual o dia de ontem passou
Talvez assim também passe
Ou não, talvez o talvez nunca acabe
E enfim, eis que não tarde floresce
A incerta certeza de ser incompleto:
A saudade, tão grande quanto o mundo
Haverá de valer-se por ele.

Williany Souza

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

[SEM TÍTULO]

Afoga-te de pé em tua sombra
E dorme embriagado de si próprio,
Pois nada vale a vida a quem conta
O tic do relógio a toda hora

Ensina-se a ver sem ver as ondas
De mares grandes e marés baixas
Que vale o sopro a quem não conta
O tac do relógio a toda hora

Navega infinitas vezes nos olhares
Dos animais domesticados
Que não são e são bichos

Quem sabe então aquém precises disso:
De ver com as mãos
O que os olhos tocam.

Williany Souza